10 abril 2007

Universidade de Aveiro lança comemorações do IVº Centenário

Em 2008 faz 400 anos que nasceu o padre António Vieira (1608-1697), um dos maiores escritores de língua portuguesa; cosmopolita português e brasileiro, precursor dos Direitos Humanos (a causa judaica), humanista que sofreu e se revoltou contra a prioridade dos interesses políticos e económicos sobre indígenas primitivos e indefesos (luta contra a escravatura), foi também um homem de negócios que geriu para sobrevivência dos autóctones um território tão vasto como duas vezes a Península Ibérica; diplomata, partilhou a companhia e a mesa de reis e papas no meio de intrigas palacianas dos países mais ricos e poderosos da Europa; político lutador, aguentou a pressão ideológica da todo-poderosa Inquisição; visionário de uma identidade única e original e de uma cidadania global, concebeu um utópico Quinto Império onde havia lugar para todos, mesmo nos tempos mais difíceis.

O padre António Vieira nasceu em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608, no reinado de Filipe II. Seu pai emigra e a família junta-se em 1614 em Salvador da Bahia. Entra para o Colégio dos Jesuítas em 1623 e em 1634 é ordenado padre. Em 1641, após a restauração da monarquia portuguesa, acompanha o filho do vice-rei a Lisboa, grangeando a amizade e confiança do rei D. João IV que o enviou em difíceis e perigosas missões a França, Holanda e Itália durante 11 anos. Em 1653, desiludido da corte, inicia nova fase da sua vida nas missões do Maranhão e Grão Pará, onde o sucesso da cristianização dos Índios e a luta pelos direitos dos autóctones à liberdade lhe acarretam inimizades e perseguições, sendo preso em 1661, enviado para o reino, encarcerado e sentenciado pelo Tribunal da Inquisição. Libertado em 1667, segue para Itália, onde frequenta a corte da rainha Cristina da Suécia e a Cúria Romana, exibindo a sua erudição e os seus dotes de orador. Regressa a Portugal em 1675. Viveu 36 anos na Europa, 20 dos quais ao serviço da coroa portuguesa. Em 1681, aos 73 anos, regressa a Salvador da Bahia que o viu crescer, onde aperfeiçoa o texto dos seus Sermões e continua a luta até ao fim da vida, aos 89 anos, pelos seus ideais e utopias.

Na comemoração dos 400 anos do seu nascimento pretende-se desenvolver o Projecto de Investigação “ICIPAV2008 – Identidade e Cidadania: Padre António Vieira 2008”, associado ao Mestrado em Ciências da Educação na área de especialização de Formação Pessoal e Social que tem como temas integradores a Identidade e a Cidadania, como referência o padre António Vieira e como horizonte o Congresso Internacional em língua portuguesa (ICIPAV2008: congresso) a dinamizar durante 2007, a desenvolver pela Internet em 2008, a realizar presencialmente em Novembro de 2008 e a difundir através de uma Exposição Itinerante (ICIPAV2008: exposição) em 2008-2009, com os subtemas provisórios: 1 - O político e a defesa da causa judaica. 2 - O missionário e a defesa da causa indígena. 3 - O arguido e a defesa das suas utopias. 4 - O profeta e a universalidade da sua visão do mundo e da história. 5 - Actualidade das ideias de Vieira no limiar do século XXI, as questões da identidade das massas e da cidadania global. Prevê-se que a parte presencial do Congresso seja seguida por um Festival Internacional em língua portuguesa (ICIPAV2008: festival).

Prevê-se ainda um Cruzeiro Histórico pelo roteiro do Padre António Vieira, destinado a dinamizar a compreensão da sua vida e obra e a preparar um livro comemorativo com textos e imagens, a editar pela Gráfica de Coimbra Editora. Ao longo da sua vida de “cidadão do mundo”, passou por espaços que continuam a ser emblemáticos: Lisboa, Cabo Verde, Salvador da Bahia, Recife, São Luís do Maranhão, Amazónia, Belém do Pará, Açores, La Rochelle, Rouen, Calais, Dover, Amsterdam, Bordéus, Toulouse, Marselha, Liorne, Florença, Roma, Barcelona, Alicante, Portugal. Os seus escritos contêm o texto necessário para descrever, pelas suas próprias palavras, os lugares que percorreu e os ideais que defendeu. Este cruzeiro terá a participação de alunos de pós-graduação e investigadores, presencialmente ou via satélite. Lendo e percorrendo espaços que ele mesmo descreve, a bordo, como ele, de um barco à vela, mas com sofisticado sistema de telecomunicações, possibilita-se que alunos e investigadores participem numa inédita e enriquecedora investigação pedagógica que contribua indelevelmente para a sua própria formação pessoal e social.
Mestrandos e doutorandos, educadores e professores, investigadores e interessados pela história, pela cultura e pedagogia da identidade e da cidadania, com referência ao padre António Vieira na sua vertente humanista de cidadão do mundo, de defensor da igualdade e da dignidade, de visionário de um futuro que precisa de ser construído ainda hoje, têm a possibilidade de aprender a investigar para ensinar de forma séria e lúdica, comparando descrições com realidades, na diversidade e intensidade dos modos de viver falados e descritos em língua portuguesa.

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