10 abril 2007

O/As fãs do P.António Vieira no Diário de Notícias

A propósito do concurso "Os grandes Portugueses", o jornal Diário de Notícias inquiriu os seus 27 colunistas regulares sobre as suas escolhas para o top 10 dos Grandes Portugueses. Destes, 10 personalidades colocaram no seu Top10, o P. António Vieira. A saber, na sua lista, Vieira ocupava o:
3º Lugar - Alfredo Barroso e Helena Sacadura Cabral
4º Lugar - Diogo Pires Aurélio
5ª Lugar - Marina Costa Lobo e Nuno Brederode dos Santos
7º Lugar - Vasco Graça Moura
8º Lugar - Maria José Nogueira Pinto e José Manuel Barroso
9º Lugar - António Vitorino e Diogo Lacerda Machado

Na votação final do concurso propriamente dito, o P. António Vieira ficou em 33º Lugar.

Universidade de Aveiro lança comemorações do IVº Centenário

Em 2008 faz 400 anos que nasceu o padre António Vieira (1608-1697), um dos maiores escritores de língua portuguesa; cosmopolita português e brasileiro, precursor dos Direitos Humanos (a causa judaica), humanista que sofreu e se revoltou contra a prioridade dos interesses políticos e económicos sobre indígenas primitivos e indefesos (luta contra a escravatura), foi também um homem de negócios que geriu para sobrevivência dos autóctones um território tão vasto como duas vezes a Península Ibérica; diplomata, partilhou a companhia e a mesa de reis e papas no meio de intrigas palacianas dos países mais ricos e poderosos da Europa; político lutador, aguentou a pressão ideológica da todo-poderosa Inquisição; visionário de uma identidade única e original e de uma cidadania global, concebeu um utópico Quinto Império onde havia lugar para todos, mesmo nos tempos mais difíceis.

O padre António Vieira nasceu em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608, no reinado de Filipe II. Seu pai emigra e a família junta-se em 1614 em Salvador da Bahia. Entra para o Colégio dos Jesuítas em 1623 e em 1634 é ordenado padre. Em 1641, após a restauração da monarquia portuguesa, acompanha o filho do vice-rei a Lisboa, grangeando a amizade e confiança do rei D. João IV que o enviou em difíceis e perigosas missões a França, Holanda e Itália durante 11 anos. Em 1653, desiludido da corte, inicia nova fase da sua vida nas missões do Maranhão e Grão Pará, onde o sucesso da cristianização dos Índios e a luta pelos direitos dos autóctones à liberdade lhe acarretam inimizades e perseguições, sendo preso em 1661, enviado para o reino, encarcerado e sentenciado pelo Tribunal da Inquisição. Libertado em 1667, segue para Itália, onde frequenta a corte da rainha Cristina da Suécia e a Cúria Romana, exibindo a sua erudição e os seus dotes de orador. Regressa a Portugal em 1675. Viveu 36 anos na Europa, 20 dos quais ao serviço da coroa portuguesa. Em 1681, aos 73 anos, regressa a Salvador da Bahia que o viu crescer, onde aperfeiçoa o texto dos seus Sermões e continua a luta até ao fim da vida, aos 89 anos, pelos seus ideais e utopias.

Na comemoração dos 400 anos do seu nascimento pretende-se desenvolver o Projecto de Investigação “ICIPAV2008 – Identidade e Cidadania: Padre António Vieira 2008”, associado ao Mestrado em Ciências da Educação na área de especialização de Formação Pessoal e Social que tem como temas integradores a Identidade e a Cidadania, como referência o padre António Vieira e como horizonte o Congresso Internacional em língua portuguesa (ICIPAV2008: congresso) a dinamizar durante 2007, a desenvolver pela Internet em 2008, a realizar presencialmente em Novembro de 2008 e a difundir através de uma Exposição Itinerante (ICIPAV2008: exposição) em 2008-2009, com os subtemas provisórios: 1 - O político e a defesa da causa judaica. 2 - O missionário e a defesa da causa indígena. 3 - O arguido e a defesa das suas utopias. 4 - O profeta e a universalidade da sua visão do mundo e da história. 5 - Actualidade das ideias de Vieira no limiar do século XXI, as questões da identidade das massas e da cidadania global. Prevê-se que a parte presencial do Congresso seja seguida por um Festival Internacional em língua portuguesa (ICIPAV2008: festival).

Prevê-se ainda um Cruzeiro Histórico pelo roteiro do Padre António Vieira, destinado a dinamizar a compreensão da sua vida e obra e a preparar um livro comemorativo com textos e imagens, a editar pela Gráfica de Coimbra Editora. Ao longo da sua vida de “cidadão do mundo”, passou por espaços que continuam a ser emblemáticos: Lisboa, Cabo Verde, Salvador da Bahia, Recife, São Luís do Maranhão, Amazónia, Belém do Pará, Açores, La Rochelle, Rouen, Calais, Dover, Amsterdam, Bordéus, Toulouse, Marselha, Liorne, Florença, Roma, Barcelona, Alicante, Portugal. Os seus escritos contêm o texto necessário para descrever, pelas suas próprias palavras, os lugares que percorreu e os ideais que defendeu. Este cruzeiro terá a participação de alunos de pós-graduação e investigadores, presencialmente ou via satélite. Lendo e percorrendo espaços que ele mesmo descreve, a bordo, como ele, de um barco à vela, mas com sofisticado sistema de telecomunicações, possibilita-se que alunos e investigadores participem numa inédita e enriquecedora investigação pedagógica que contribua indelevelmente para a sua própria formação pessoal e social.
Mestrandos e doutorandos, educadores e professores, investigadores e interessados pela história, pela cultura e pedagogia da identidade e da cidadania, com referência ao padre António Vieira na sua vertente humanista de cidadão do mundo, de defensor da igualdade e da dignidade, de visionário de um futuro que precisa de ser construído ainda hoje, têm a possibilidade de aprender a investigar para ensinar de forma séria e lúdica, comparando descrições com realidades, na diversidade e intensidade dos modos de viver falados e descritos em língua portuguesa.

09 abril 2007

Cabo Verde: Portugueses recriam em veleiro viagens do Padre António Vieira

(da Agência LUSA)

Cidade da Praia, 03 Abr (Lusa) - Quatro portugueses, a bordo de um pequeno veleiro, estão a fazer as viagens realizadas pelo Padre António Vieira há quase 400 anos, dedicando esta semana a Cabo Verde, onde o escritor português esteve em 1652.

A iniciativa é do professor da Universidade de Aveiro António de Abreu Freire, que ao longo deste ano quer ir ao Brasil mas também a França, Inglaterra, Holanda, Espanha e Itália, todos os lugares por onde o Padre António Vieira andou no século XVII.

O objectivo é recolher imagens e documentos, para que em 2008, quando se comemoram 400 anos sobre o nascimento do Padre António Vieira, seja publicado um livro ilustrado, com fotografias e documentos, e um documentário em DVD.

A viagem começou a 17 de Março em Aveiro, a bordo de um pequeno veleiro, o "CHIC", ao qual se juntará outro no Brasil, o "Triunfo", para os dois percorrerem o caminho de regresso à Europa.

Portugal e o Brasil vão comemorar no próximo ano o quarto centenário do nascimento do Padre António Vieira, com diversas iniciativas, como colóquios e seminários.

António de Abreu Freire explicou que em Cabo Verde serão recolhidas imagens, nomeadamente, da Cidade Velha, onde o escritor esteve durante cerca de uma semana, depois de uma viagem atribulada a caminho do Brasil.

Hoje, a bordo do "CHIC", António de Abreu Freire assistia também à reparação do pequeno veleiro, que à semelhança do barco em que viajava o autor dos "Sermões", em 1652, apanhou uma tempestade entre a ilha da Madeira e o arquipélago cabo-verdiano.

Em 1652 o Padre António Vieira passou o Natal em Cabo Verde, enquanto era reparado o navio que havia de levar para o interior brasileiro, e de onde acabaria por ser expulso pelos colonos por defender a liberdade para os índios.

A viagem dos quatro homens, a que se juntam depois mais cinco investigadores e historiadores brasileiros, da Universidade Euro-Pan- Americana (São Paulo) pretende "dar a imagem real" do Padre António Vieira, que atravessou o atlântico sete vezes, "naufragou e foi atacado por piratas", diz o professore de Aveiro.

Para já o grupo português ficará esta semana em Cabo Verde, seguindo depois para Baía, no Brasil, com pequena escala em Fernando de Noronha, fazendo depois a rota do Padre António Vieira por todo o interior do Brasil.

O Padre António Vieira nasceu em Portugal em 1608 e emigrou aos sete anos para Salvador da Baía. Já adulto regressou a Portugal e foi representante da corte em França, Holanda e Itália, durante 11 anos. Nesse período foi perseguido por defender os judeus e a livre escolha da religião a professar.

Em 1652 voltou ao Brasil e como missionário percorreu as regiões do Maranhão e Grão Pará. Por defender a liberdade para os índios foi preso em 1661 e enviado para Portugal, onde foi condenado pelo Tribunal da Inquisição e preso durante dois anos, solto por intervenção de D. Pedro II.

Em 1669 regressou a Itália, frequentou a corte e a cúria romana, do papa Clemente X, regressando a Portugal seis anos depois.

Em 1681, com 73 anos, voltou à cidade de S. Salvador, no Brasil, onde escreveu os seus célebres "Sermões".

Morreu no Brasil, com 89 anos. Foi na altura um homem das causas perdidas mas os seus textos continuam, ainda hoje, a ser actuais, como considera António de Abreu Freire.

FP.

Lusa/Fim

25 abril 2006

CASA P. ANTÓNIO VIEIRA - O projecto para comemorar o IVº Centenário do nascimento de Vieira

Aproximando-se a celebração dos 400 anos do nascimento do P. António Vieira (2008), propõe-se a criação da CASA P. ANTÓNIO VIEIRA, em edifício próximo da zona onde nasceu (Sé de Lisboa) que possa ser um dos espaços privilegiados para a comemoração do quarto centenário do seu nascimento. Com espaço para exposição permanente e exposições temporárias, auditório, biblioteca especializada e salas de reuniões, esta Casa faria perdurar a memória deste notável lisboeta e grande vulto da cultura portuguesa.

Eixos de intervenção do IPAV

1. A construção do Futuro, em especial o de Portugal, inspirada por uma visão global e integradora.

Uma portugalidade para o terceiro milénio, com uma forte identidade própria e uma enorme abertura ao mundo.

2. Promoção da Dignidade Humana e defesa dos Direitos do Homem, através da reflexão e da acção.

Um novo humanismo personalista para o século XXI.

3. O diálogo no contexto da diversidade cultural e religiosa, reforçando o que nos une e respeitando o que nos separa tendo em vista a construção da Paz.

Uma atitude de encontro e de diálogo, entre povos, culturas e religiões.

Porquê P. António Vieira?

O Pe. António Vieira é uma referência da humanidade. Polifacetado e desconcertante, foi missionário, político, diplomata, orador e intelectual, num século conturbado e inquietante.

Homem de fé, foi exemplar na dedicação aos índios do Brasil, para os quais conseguiu, em 1655, um decreto do rei que os protegia contra a escravidão feroz. Quando poucos viam nos índios sequer seres humanos, Vieira esteve a seu lado, aprendendo as suas línguas e correndo perigos inimagináveis nas selvas profundas do Maranhão.

Intensamente empenhado no destino da sua Pátria (para a qual sonhou a utopia do Quinto Império), foi pragmático na política e controverso na diplomacia, mas acabou sempre à margem do politicamente correcto. Desafiou o futuro e, procurando perscrutar os seus caminhos, imaginou novos mundos. Enfrentou por isso, inimigos infindáveis, entre os quais, todos os poderes instituídos: a Corte, a Inquisição e os interesses económicos. Estando no mundo, Vieira não era daquele mundo.

Também para a cultura portuguesa a sua memória ressoa como um dos nossos maiores expoentes. Exímio arquitecto das palavras e dos conceitos,Vieira deixou-nos um espólio impressionante.
Polémico, como poucos, António Vieira não era um ser perfeito. Até nisso, era profundamente humano. Não ficou como uma lenda, nem sequer como um santo. Sonhou sonhos impossíveis, viu miragens que se esfumaram e errou muitas das suas geniais suposições. Mas nunca teve medo, nem se ficou no conforto dos moles. Foi ousado, corajoso e fiel à sua consciência, por mais que isso implicasse ir contra o Mundo.

António Vieira é uma herança preciosa para o terceiro milénio. Como no seu tempo, Portugal precisa de se ultrapassar e reencontrar o seu destino no mundo. Como na sua época, o desafio do multiculturalismo, da defesa da diversidade, do diálogo entre crentes e não crentes, bem como a promoção da dignidade humana são desafios em agenda.

O Instituto Pe. António Vieira nasce para responder a este património e a estes desafios